segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Manias...

Tenho uma mania bem estranha, que é escrever cartas e não enviá-las. A primeira vista isso pode parecer idiota, pra falar a verdade, a segunda vista também... mas é uma mania bem particular minha e gosto sinto-me particularmente bem ao escrevê-las, porém me falta coragem para colocar no correios as tais cartas, pois nelas me abro, de forma escancarada, entrego todos os meus ais, as minhas frustações (mesmo as inadmissíveis) conto segredos cabeludos e carecas. O papel aceita que eu torne um quase desconhecido em amigo íntimo, aliás nessa história toda acredito ser ele o meu fiel amigo, o papel. Acho que no fundo é isso ele, frio, calado, imparcial a tudo que faço, ele não reclama se escrevo bem, ou com graves falhas ortográficas, ele não reclama nem se o jogo no lixo antes de jogar toda minha raiva e amassá-lo impiedosamente. Ele simplesmente está ali a minha diposição, num virar de página, lá está ele todo disponível, todo limpo, todo secreto, todo ouvidos...

No fundo, no fundo eu acho que as cartas que escrevo não são pr'quelas pessoas que eu direciona a escrita (e não são mesmo!!!) é porque o meu melhor amigo que é o papel, não tem nome, aí eu o personifico, visto-o com a carne de alguém que conheço, ora um homem ora uma mulher, pois eu não consegui colocar nele um nome com Anne Frank fez com seu querido, ou melhor querida Kitty, ou Zlata com sua amada Mimmy. 

Ele, é ele o papel que hoje é uma pessoa qualquer do meu convívio, amanhã e outra que a  tempo não vejo e assim vai... vai aumentando minha pasta de cartas que nunca, nunca envio.

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